Tudo começou com uma GoPro, se não me engano, a terceira versão, (hoje já estamos na décima quarta.) Levei pra igreja e filmei orando por enfermos. Postei no YouTube, os comentários foram os piores possíveis, mais um charlatão, mentiroso e tudo mais, e foi aí que decidi ir para as ruas. Afinal, quero ver alguém falar que é mentira quando está acontecendo no meio da calçada, com pessoas reais, na vida real.
Meu Deus. Eu jamais poderia imaginar o que estaria acontecendo 12 anos depois.
Quando escrevo essa carta? Um dia depois de chegar da África do Sul, onde estivemos em 46 missionários pregando o evangelho por 8 dias, em uma das regiões mais perigosas e abandonadas do país. Cheguei aqui, comecei a ver todos os reels que postamos, e não aguentei ficar emocionado sozinho. Precisava escrever pra você. Pra vocês. Porque sim, fizemos isso juntos.
Deus usou cada um que um dia compartilhou um vídeo, curtiu, comentou, que falou na escola ou pros amigos. Pessoas que viram verdade no que estávamos postando e de alguma forma se sentiram vivas também. Quantas vezes parei. Quantas vezes Deus me lembrou que não devia parar. Quantos amigos Ele usou pra me lembrar dos outros tantos amigos que estavam do outro lado da tela.
Eu me perguntei: será que ainda vale a pena? Será que alguém vai parar pra assistir?
Que pergunta boba.
Desde quando se faz para que alguém assista? Se faz porque é real. Porque é vida. Porque Deus está vendo.
E foi exatamente isso. Cada view era uma pessoa. Cada pessoa era uma história. E eu precisava lembrar disso nos dias em que o algoritmo não colaborava, nos dias em que o
cansaço e a falta de tempo falava muito mais alto do que a fé.
Mas vou te falar uma coisa, tem uma coisa que o cansaço não consegue apagar: o rosto de quem ouviu o evangelho pela primeira vez. Na rua, no estádio, no festival de rock, no meio da África, nos bares da Europa, embaixo de um céu que parecia mais próximo do que nunca. Você não esquece esse rosto. Ele fica gravado em algum lugar dentro de você e te chama de volta sempre que você pensa em parar.
Na última viagem, eu vi esse rosto 46 vezes ao meu redor. Missionários que deixaram o conforto, a agenda, a cama de casa, pra ir até o fim do mundo, literalmente, porque alguém um dia plantou uma semente. Talvez um vídeo. Talvez um comentário. Talvez uma mensagem que você mandou sem nem imaginar o que aquilo ia mover.
Você faz parte disso, faz parte dessa história.
Porque eu aprendi que missão não é só o cara com o microfone na mão. É o cara que compartilhou o vídeo às 23h em lágrimas, sem dinheiro pra viajar mas com um coração que queria ir. É a menina que comentou "eu precisava ver isso hoje" num dia que ninguém sabia o que ela estava passando. É o jovem que mostrou um reel pro amigo na escola e disse: "cara, assiste isso aqui."
Missão tem muitos rostos. E um deles é o seu.
Decidi escrever essa carta porque não quero compartilhar uma alegria sozinho. Não fomos feitos para estar sozinhos, e a rede social existe para nos conectar de verdade. Aqui compartilhei com vocês o que vivi, o que vi, e pude encontrar tantos de vocês que estavam nessas viagens — mesmo que do outro lado da tela. Bendito YouTube. Essa plataforma mudou a minha vida e a vida de tanta gente que viu o que Deus pode fazer. É pra isso que estamos aqui.
Eu não sei onde você está lendo isso. Talvez no metrô, talvez na cama, talvez em algum lugar do mundo que eu nunca pisei. Mas sei de uma coisa: se você chegou até aqui, não foi por acaso. Você foi feito pra isso também. Não pra assistir de longe. Pra ir.
E talvez a sua viagem comece agora. Talvez ela já tenha começado faz tempo e você ainda não tinha nome pra colocar nela.
Eu tenho.
A vida é uma viagem. Uma viagem missionária.
Com amor, Luca Martini.
